ESQUIZOFRENIA

 

A Esquizofrenia é uma doença da personalidade que afecta a zona central do eu e altera toda a estrutura vivencial. Culturalmente, o esquizofrénico representa o estereótipo do "louco", um indivíduo que pode produzir grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade. Age como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrénico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias. Ao contrário do que por vezes se pensa, esquizofrenia não é dupla personalidade.

 

Como começa?

A esquizofrenia pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo está errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses.


Por outro lado há pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda o seu comportamento e entra no mundo esquizofrénico, o que geralmente alarma e assusta muito os familiares e pessoas mais próximas.


Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica.

 

O que causa o aparecimento da doença?

Sabe-se, actualmente, que a doença não é causada por um único factor. Existem assim diversas teorias que surgem como causa do aparecimento desta doença, referiremos aqui algumas das principais, de entre as muitas que existem:

- Teoria genética – esta teoria admite que os genes podem contribuir para o surgimento da doença, ainda assim, não justifica tudo já que grande parte dos esquizofrénicos não tem historial familiar de esquizofrenia.

- Teoria neurobiológica – segundo esta teoria, a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro. Daí, a esquizofrenia poder ser desencadeada por alguns fármacos.

- Teoria psicanalítica – esta está na base das teorias freudianas e defende que a ausência de relações interpessoais satisfatórias estaria na origem do aparecimento da esquizofrenia.

 

Quem afecta?

Inteligência: Ao contrário do que se possa pensar a esquizofrenia, não é de forma nenhuma uma doença que só afecta pessoas de baixo Q.I., o génio não é dispensado.

Factores geográficos e culturais: Não há um grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser mais severo em países desenvolvidos e/ou em desenvolvimento.

Factores sócio – económicos: A doença ocorre tão frequentemente, em pessoas divorciadas, solteiras, bem como em casados e viúvos. E não há um escalão sócio -económico para a existência da doença, afecta tanto classes altas, baixas ou médias.

Idade e sexo: A esquizofrenia é uma doença que afecta ambos os sexos sem que nenhum tenha maior probabilidade que o outro. É uma doença que geralmente se desenvolve na adolescência, entre os 15 e os 25 anos, mas por vezes surge já na fase adulta, entre os 25 e os 35 anos, não sendo provável que apareça mais tarde.

Reconhecer o início da esquizofrenia:

Dificuldade em dormir, altern ância do dia pela noite ou, mais raramente, dormir demais
  • Isolamento social, indiferença em relação aos outros
  • Perda das relações sociais que mantinha
  • Períodos de hiperactividade e outros de inactividade
  • Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
  • Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
  • Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
  • Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
  • Reacções exageradas às reprovações dos parentes e amigos
  • Deterioração da higiene pessoal
  • Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos
  • Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objectivo definido
  • Reacções emocionais não habituais ou características do indivíduo
  • Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo)
  • Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente
  • Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes
  • Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo
  • Mudanças na personalidade
  • Abandono das actividades usuais
  • Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, rir sem motivo
  • Abuso de álcool ou drogas

Atenção:
Um único sintoma não é específico da Esquizofrenia. O diagnóstico depende de um conjunto muito vasto de sintomas e comportamentos, bem como da leitura do médico, não havendo assim um protótipo de esquizofrenia.

 

Sintomas

Existem dois tipos de sintomas em esquizofrenia, os positivos ou produtivos e os negativos. Esta divisão tem como referência o considerado como a “normalidade”. Brevemente, os sintomas positivos são aqueles que não deviam estar presentes e os negativos são a falha, ou seja, aquilo que devia estar presente e a funcionar correctamente e não está. Ainda assim nenhum destes dois tipos de sintomas é considerado desejável.

- Sintomas positivos/produtivos – os sintomas considerados positivos ou produtivos são aqueles nos quais as ideias não se encaixam na realidade. São essencialmente alucinações, delírios e perturbações do pensamento (discurso e pensamento desorganizado; dificuldade em organizar ideias e ter um discurso perceptível). Destes fazem ainda parte o comportamento agressivo.

- Sintomas negativos – são aqueles que impedem a pessoa de praticar funções normais; são resultado da diminuição das capacidades mentais. Por exemplo, em casos graves, o indivíduo quando se está a vestir, pode ficar baralhado e questionar-se sobre o que deverá calçar primeiro, se a meia ou o sapato. Pode ainda reflectir-se na ausência de emoções e isolamento social.
       

Estes sintomas confundem-se muitas vezes com depressão, a diferença é que na depressão estes sintomas diminuem ou desaparecem com medicação adequada e na esquizofrenia o mesmo não acontece.

 

Violência em esquizofrenia

Alguns esquizofrénicos podem em situações de crise tornar-se violentos, até porque muitas vezes os seus delírios fazem-nos sentir-se ameaçados e por isso reagem violentamente às pessoas que, pensam eles, constituem uma ameaça para si.
Mas nem todos os esquizofrénicos são violentos em situações de crise; podem estar em crise e ainda assim não apresentar um comportamento violento. Esta violência pode ser física ou verbal.

 

Que tipos de esquizofrenia existem?

Existem seis tipos de esquizofrenia:

- Paranóide
- Hebefrénica
- Catatónica
- Residual
- Simples  
- Indiferenciada

 

Diagnóstico:

Não há um exame que diagnostique precisamente a esquizofrenia, isto depende exclusivamente dos conhecimentos e da experiência do médico, portanto é comum haver conflitos de diagnóstico. O diagnóstico é feito pelo conjunto de sintomas que o paciente apresenta e a história como esses sintomas foram surgindo e se desenvolvendo. Existem critérios estabelecidos para que o médico tenha um ponto de partida, uma base onde se sustentar, mas a maneira como o médico encara os sintomas é pessoal. Um médico pode considerar que uma insónia apresentada não tenha maior importância na composição do quadro; já outro médico pode considerá-la fundamental.

 

A esquizofrenia tem cura?

Embora não se possa falar em cura, tal como se conceitua a cura total na medicina, a reabilitação psicossocial da grande maioria desses pacientes tem sido evidente.

 

A medicação

O esquizofrénico, deve ser devidamente acompanhado e medicado, pois a medicação:

1.     Elimina vozes e visões.
2.     Elimina crenças entranhas e falsas (delírios).
3.     Diminui a tensão, a agitação e os comportamentos violentos.
4.     Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
5.     Reduz os medos, a confusão e a insónia.
6.     Ajuda a falar de forma coerente.
7.     Ajuda a sentir-se mais feliz.
8.     Ajuda a que se comporte de forma mais adequada
9.     Diminui a necessidade de internamento.

Internamento

O internamento é indicado nos momentos de crise ou de surto agudo, quando o esquizofrénico não tem controle sobre si mesmo. Deve ser o mais curto possível, é suficiente um mês ou mês e meio para controlar as manifestações mais graves da doença.
Não se recomendam internamentos prolongados ou "para sempre".

 

Ver Reportagem Sic "Fragmentos da Razão" no Sapo XL

 

Bibliografia:

www.psiqweb.med.br
www.psicosite.com.br
www.wikipedia.org
http://www.manualmerck.net
http://www.anossavoz.pcd.pt/ver.php?id=216
http://www.geocities.com/psicanaliseonline/esquizof.htm
Psiquiatria Forense de J.C. Dias Cordeiro
Introdução à Psicologia de Abraham Sperling
Introdução à psicologia - Edições da Fundação Calouste Gulbenkian

Texto elaborado por Ana Rita Machado

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